quinta-feira, 23 de julho de 2009

Uma perspectiva dos serviços da RNCCI



Os serviços dos cuidados continuados ainda se encontram muito direccionados para os cuidados de saúde como perspectiva quase exclusiva de resposta às necessidades dos utentes, família e comunidade. Os cuidados directos de saúde são assim considerados o âmago do serviço, em parceria com alguns cuidados relativos à componente social, focalizando-se muito nos apoios existentes ao nível socio-económico e encaminhamento para os serviços mais adequados a cada caso, havendo por vezes um esforço aquém do esperado na inclusão da família no cuidado do utente. Verificam-se falhas ao nível da formação destes que já foram cuidadores dos utentes que beneficiam destes serviços e que poderão voltar a sê-lo. Mesmo não se encontrando prevista alta, devido muitas vezes à complexidade das patologias e perdas significativas sofridas, em tudo o familiar beneficia se lhe for dado especial atenção com o objectivo de lhe serem explicadas as intervenções a realizar, a evolução da doença do utente, repercussão das perdas de funcionalidade no seu dia-a-dia, numa tentativa de diminuir a angústia muitas vezes sofrida tanto pelos familiares como por outros cuidadores informais, que normalmente vivenciam sentimentos dicotómicos de alívio e de culpa, quer pelo peso e cansaço que os cuidados informais representavam, quer pelo sentimento de abandono ao familiar ou medo de que não usufrua dos melhores cuidados possíveis, já que ainda subsiste a ideia errónea de que este tipo de serviços não satisfaz os utentes no campo afectivo e emocional.


Para aqueles em que se encontra prevista a alta da unidade existem arestas a limar no que respeita à promoção de uma óptima integração dos utentes no âmbito familiar e social após a alta, bem como no seguimento continuado dos casos pós-internamento (que não é previsto), essencialmente os que por várias razões possuem necessidades e problemas de variada índole, os quais poderão pôr em causa os seus cuidados e efectivamente o seu bem-estar e qualidade de vida).


A verdade é que entre os vários profissionais presentes numa equipa de cuidados continuados integrados nem sempre é trabalhada em toda a sua amplitude, e tendo em conta todos os recursos humanos existentes, a desejada autonomização e toda a independência (ou, caso não seja possível, todo um cuidado integrado que promova a qualidade de vida do utente a todos os níveis e não só ao nível biológico como é o caso da pretensa melhoria da funcionalidade e diminuição da dor, que não é por si só um cuidado suficiente para produzir bem-estar. Deve-se considerar no cuidado outros níveis: social, familiar, espiritual, intelectual, afectivo e emocional). Para isso deve ser realizado um plano e acompanhamento individual do utente mais ajustado a esta realidade através de pequenas iniciativas e rotinas pensadas por cada serviço com o apoio de todos os profissionais de saúde e da área social.


Na unidade em questão e analisando toda a equipa podemos afirmar que os profissionais se encontram motivados e sensíveis quanto a estas necessidades. Existe um esforço para incluir os familiares/cuidadores no processo do cuidar. São programados ensinos (mas normalmente apenas na perspectiva de proximidade da alta), é promovida a interacção familiar-unidade sempre que é solicitada a sua comparência para a reunião sobre o plano de cuidados, para outras entrevistas importantes de forma a obter informação relevante para os cuidados, estimulo à interacção e ao acompanhamento que realizam ao utente (ex. da folha de compromisso), algumas iniciativas que promovem a interacção entre utentes, familiares e equipa técnica (festa de Natal), etc.


Todo este trabalho é importantíssimo para que se cumpram os objectivos dos cuidados continuados. Devem portanto continuar a realizar esforços e a cada vez mais programar e promover intervenções que respondam às necessidades anteriormente enumeradas, porque os interesses e necessidades dos doentes e das suas famílias deverão ser a principal preocupação de todos os profissionais.

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