
Os serviços dos cuidados continuados ainda se encontram muito direccionados para os cuidados de saúde como perspectiva quase exclusiva de resposta às necessidades dos utentes, família e comunidade. Os cuidados directos de saúde são assim considerados o âmago do serviço, em parceria com alguns cuidados relativos à componente social, focalizando-se muito nos apoios existentes ao nível socio-económico e encaminhamento para os serviços mais adequados a cada caso, havendo por vezes um esforço aquém do esperado na inclusão da família no cuidado do utente. Verificam-se falhas ao nível da formação destes que já foram cuidadores dos utentes que beneficiam destes serviços e que poderão voltar a sê-lo. Mesmo não se encontrando prevista alta, devido muitas vezes à complexidade das patologias e perdas significativas sofridas, em tudo o familiar beneficia se lhe for dado especial atenção com o objectivo de lhe serem explicadas as intervenções a realizar, a evolução da doença do utente, repercussão das perdas de funcionalidade no seu dia-a-dia, numa tentativa de diminuir a angústia muitas vezes sofrida tanto pelos familiares como por outros cuidadores informais, que normalmente vivenciam sentimentos dicotómicos de alívio e de culpa, quer pelo peso e cansaço que os cuidados informais representavam, quer pelo sentimento de abandono ao familiar ou medo de que não usufrua dos melhores cuidados possíveis, já que ainda subsiste a ideia errónea de que este tipo de serviços não satisfaz os utentes no campo afectivo e emocional.
Para aqueles em que se encontra prevista a alta da unidade existem arestas a limar no que respeita à promoção de uma óptima integração dos utentes no âmbito familiar e social após a alta, bem como no seguimento continuado dos casos pós-internamento (que não é previsto), essencialmente os que por várias razões possuem necessidades e problemas de variada índole, os quais poderão pôr em causa os seus cuidados e efectivamente o seu bem-estar e qualidade de vida).
A verdade é que entre os vários profissionais presentes numa equipa de cuidados continuados integrados nem sempre é trabalhada em toda a sua amplitude, e tendo em conta todos os recursos humanos existentes, a desejada autonomização e toda a independência (ou, caso não seja possível, todo um cuidado integrado que promova a qualidade de vida do utente a todos os níveis e não só ao nível biológico como é o caso da pretensa melhoria da funcionalidade e diminuição da dor, que não é por si só um cuidado suficiente para produzir bem-estar. Deve-se considerar no cuidado outros níveis: social, familiar, espiritual, intelectual, afectivo e emocional). Para isso deve ser realizado um plano e acompanhamento individual do utente mais ajustado a esta realidade através de pequenas iniciativas e rotinas pensadas por cada serviço com o apoio de todos os profissionais de saúde e da área social.
Na unidade em questão e analisando toda a equipa podemos afirmar que os profissionais se encontram motivados e sensíveis quanto a estas necessidades. Existe um esforço para incluir os familiares/cuidadores no processo do cuidar. São programados ensinos (mas normalmente apenas na perspectiva de proximidade da alta), é promovida a interacção familiar-unidade sempre que é solicitada a sua comparência para a reunião sobre o plano de cuidados, para outras entrevistas importantes de forma a obter informação relevante para os cuidados, estimulo à interacção e ao acompanhamento que realizam ao utente (ex. da folha de compromisso), algumas iniciativas que promovem a interacção entre utentes, familiares e equipa técnica (festa de Natal), etc.
Todo este trabalho é importantíssimo para que se cumpram os objectivos dos cuidados continuados. Devem portanto continuar a realizar esforços e a cada vez mais programar e promover intervenções que respondam às necessidades anteriormente enumeradas, porque os interesses e necessidades dos doentes e das suas famílias deverão ser a principal preocupação de todos os profissionais.
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