quinta-feira, 23 de julho de 2009

Como se vive o internamento em UCC


O internamento numa unidade de cuidados continuados não deve ser vivido como uma fase de solidão, tristeza e perca do sentido da vida. Tal objectivo encontra-se subjectivamente contemplado na missão e objectivos dos cuidados continuados e os profissionais têm consciência disso mesmo e esforçam-se para tal, embora ainda se note que os cuidados ainda se encontram muito voltados para os cuidados directos de saúde, não se dando o devido valor ao ambiente circundante, que deve ser fonte de estímulo social, familiar, afectivo, cognitivo e de desenvolvimento pessoal.


Como na unidade as actividades ocupacionais e de animação sociocultural em grupo apenas são realizadas uma vez por semana, devido a limitações no horário da terapeuta ocupacional, achamos benéfico desenvolver actividades semanais com os utentes, tendo como objectivo principal a estimulação sensorial, cognitiva e motora, bem como desenvolver momentos de convívio e novas experiências.


Esta foi a intervenção a curto prazo que realizamos com os utentes, visto todos possuírem necessidades específicas que podem ser minimizadas com esta intervenção. Conforme as limitações na actividade e restrições na participação de cada um, desenvolvemos actividades adaptadas a estas condições tendo também em conta factores ambientais (ambiente físico, social e de atitudes em que as pessoas desenvolvem a sua vida). Este último ponto foi indispensável para a adesão às actividades e o sentimento de satisfação que se pretendia alcançar.


A adequação de actividades a uma população com características tão heterogéneas é uma tarefa complexa quando não se conhece bem os utentes já que o significado do termo capacidade difere do desempenho real (as incapacidades podem ser colmatadas por estratégias, ajudas técnicas ou humanas específicas, ou por outro lado podem existir capacidade patentes para a realização de determinada actividade mas a pessoa não se sentir capaz ou não a querer realizar por não saber ou por qualquer outra questão). Desta forma, as primeiras actividades realizadas pretenderam basear-se em actividades com menor grau de exigência, sendo vistas como fonte de motivação para as seguintes intervenções.

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