quinta-feira, 23 de julho de 2009

A perspectiva da alta e a tarefa do cuidar



A maioria dos cuidadores aceitou o seu papel devido à inevitabilidade da situação, mas não deixa de associar os cuidados a valores de solidariedade e prestabilidade. A possibilidade do papel de cuidador despertar sentimentos de satisfação em quem o assume é referido por vários autores.


Estes sentimentos coexistem frequentemente com algum desalento e cansaço, que se agrava à medida que a idade dos próprios cuidadores aumenta, devido a dificuldades inerentes à conciliação da esfera profissional e dos cuidados (sendo que no caso das mulheres, esta conciliação comporta maior sacrifício do tempo pessoal) e a falta de tempo para descansar e conviver, entre outras.


Sobrecarga do cuidador (Braithwaite, 1992 et al.) poderá afectar quer o bem-estar do cuidador quer o seu desempenho enquanto prestador de apoio a outras pessoas debilitadas, afectando a sua saúde física e psicológica.


Assim, a partilha equilibrada entre o sector formal e informal nos cuidados relacionados com as actividades básicas da vida diária pode ser considerada como um aspecto positivo, na medida em que são precisamente esse tipo de tarefas que os cuidadores consideram mais árduas.


Muitos cuidadores manifestam incerteza em relação aos cenários futuros para continuar a prestar cuidados, porque receiam que a sua própria saúde não permita, porque, por eventual desejo de autonomia não estão disponíveis para o fazer, a menos que obtenham complementos que aliviem a sua tarefa. Apoios ou incentivos económicos, alargamento do horário de cobertura dos serviços que possam ser prestados pela comunidade ou soluções para apoiar o descanso do cuidador são fontes de alguma motivação para o cuidado.


Com efeito, o desejo de mais e melhor informação para cuidar e para o auto-cuidado, que alguns cuidadores expressaram, é uma das estratégias preventivas, tanto para o doente quanto para o cuidador, visto que muitos destes se encontram em situações relativamente vulneráveis no que se refere à sua saúde física e mental.


As relações de empatia entre técnicos e cuidadores são fulcrais na motivação para a aprendizagem de boas práticas (para cuidar e para se auto-cuidar).


Os contactos entre ambos devem ajudar a determinar o apoio a prestar ao idoso, ajudar a esclarecer não só o que o cuidador precisa, mas igualmente o que procura.



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