
“Uma das tentações dos profissionais de saúde, sobretudo neste tempo de prevalência da ciência e da técnica, está em tratar o doente, dar-lhe todo o apoio, utilizando os inúmeros meios de diagnóstico e todos os recursos da medicina para a sua recuperação integral. Esquece-se, por vezes, a visão global da pessoa no seu complexo bio-psico-social-cultural e espiritual.” Comissão Nacional de Pastoral da Saúde
Não basta a qualidade científica e técnica dos profissionais e das unidades de saúde. Além da qualidade científica e técnica exige-se a qualidade humana: humanização dos cuidados, das relações, das estruturas, dos equipamentos e até dos espaços.
Só uma acção em equipa é garantia da integralidade da assistência. Todos são co-responsáveis, todos se entre-ajudam, cada um com a sua competência, mas todos empenhados na assistência global do doente. Nenhum médico ou enfermeiro pode assegurar uma assistência integral. Mesmo para além das funções técnicas, há elementos que são indispensáveis como são a actividade do assistente social, do psicólogo, do voluntário e até de alguém que possa dar assistência espiritual. No entanto, esta abordagem tende ainda a ser vista com alguma desconfiança por alguns profissionais de saúde, o que restringe o potencial da intervenção passível de ser alcançado.
Sabemos que parte da cura e possibilidade de bem-estar quando esta não é mais possível depende do estado anímico do paciente e este depende da solução conseguida para os problemas físicos, sociais, da resposta afectiva dos seus familiares ou do apoio espiritual (trabalhar o espírito: conjunto das funções psíquicas e dos estados de consciência do ser humano que lhe determina o comportamento, embora não tenha realidade física ou material).
A doença e o sofrimento trazem, normalmente, acrescidas angústias aos doentes e às pessoas significativas do mesmo. Saber escutar, dar tempo, estar disponível, são elementos indispensáveis para se cumprir os objectivos enumerados anteriormente. Atender estes pacientes no âmbito dos Cuidados Continuados de Longa Duração, requer a compreensão das suas reacções frente à sua situação, bem como da família, e o compromisso de assisti-los, dentro do possível, em todas as suas necessidades, contribuindo para o alívio de seu sofrimento, mostrando atitudes de respeito, atenção e reconhecer que se pode sempre fazer algo para melhorar a qualidade de vida dos utentes.
O objectivo será então ajudar os doentes e família a terem melhor qualidade de vida: “qualidade de vida é o resultado da soma do meio físico; social; cultural; espiritual e económico onde o indivíduo está inserido; dos estilos de vida que este adopta; das suas acções e da sua reflexão sobre si, sobre os outros e sobre o meio ambiente que o rodeia. É também a soma das expectativas positivas em relação ao futuro.” (Paschoal, 2001)
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