quinta-feira, 23 de julho de 2009

Actividades Institucionais Significativas





Actividades de animação social, actividades ocupacionais, actividades de reabilitação e de estimulação cognitiva são uma fonte importante de bem-estar, uma vez que poderão actuar sobre algumas das áreas de vida do indivíduo, quer através das aprendizagens que são realizadas (promoção da vertente educativa que promove as potencialidades de cada um, encoraja e motiva para a acção), do reforço à interacção e comunicação entre utentes e equipa multidisciplinar, quer através da motivação para a auto-promoção, melhoria da auto-estima, da auto-imagem que se obtém através do apoio e acompanhamento prestado.


Apoio nas tarefas domésticas


Permite ao utente integrar-se e sentir-se útil. Certas actividades permitem estimulação e manutenção das capacidades motoras e sensoriais. As actividades desenvolvidas e estimuladas estão dependentes do grau de deterioração cognitiva do utente, podendo haver a necessidade da intervenção contínua do cuidador durante a tarefa a desenvolver. As tarefas devem ser simples e de fácil desempenho, sem comprometer a integridade física.


Cuidados Pessoais


Tarefas relacionadas com a Higiene pessoal, roupa e ida ao banheiro são fundamentais para manter a independência possível e a dignidade da pessoa. Deve-se sempre estimular a autonomia do utente (nunca substituir o utente nas actividades, estimulando o seu desempenho e apenas apoiar na totalidade em tarefas que não consegue realizar devido a limitações físicas, motoras ou cognitivas).



Actividades relacionadas com a cozinha


São normalmente tarefas recreativas, divertidas e informais, ideais serem realizadas em grupo. Permite realizar a manipulação de objectos, estimular os sentidos, sequenciar e potenciar a criatividade e a participação.

Exemplo de actividade: preparação de bolos.

Deve-se seleccionar uma receita que vá de encontra às preferências dos utentes e se possível de encontra às restrições dietéticas, preparam-se os ingredientes, medem-se os mesmos e prepara-se a massa. Pode-se estimular as reminiscências durante a actividade (questionar sobre pratos ou bolos preferidos, como se cozinham, técnicas para a confecção, etc). Deve-se sempre retirar de perto dos utentes objectos que os distraiam e que possam significar algum perigo na sua manipulação.


Actividades no Exterior


Implicam um mínimo de actividade física. Deve-se ter em conta as capacidades físicas (de resistência) e motoras. As actividades promovidas devem ser agradáveis e estimulantes. Podem também promover o desenvolvimento pessoal do utente, através de visitas a locais de importância cultural e à realização de aprendizagens durante as actividades.


Compras


Durante as saídas recreativas. É necessário um alto grau de independência por parte dos utentes. No caso de apresentarem défices significativos devem ser acompanhados a todo o tempo.



Actividade Física e Desporto


Permite manter uma boa condição física, reabilitação ou simplesmente atrasar quadros evolutivos que levem à imobilidade e aos seus efeitos nocivos.


· Passeios Terapêuticos;

· Jogos com bolas e balões;

· Jogo de Boccia;

· Bowling; etc.


Trabalhos manuais e Arte


Têm interesse individual e em grupo, sendo que devem ser desenvolvidas estas duas vertentes. Este tipo de actividade promove a auto-estima devido aos resultados que se alcançam, facilitando também a interacção social e de grupo.

As actividades deverão ser seleccionadas de acordo com as capacidades, interesses e experiências de cada um. Normalmente em utentes com défice cognitivo moderado, actividades que foram por eles realizadas ao longo da vida serão ideais para serem estimuladas (uma vez que a capacidade de realizar novas aprendizagens pode estar diminuída).

O material necessário às actividades deve ser previamente preparado, se possível com o apoio de utentes mais independentes.


Música, baile e espectáculos


Permitem estimular os sentidos, realizar exercício físico e facilitar o contacto social. As actividades devem ser sempre adequadas aos interesses e limitações dos utentes.

No universo dos utentes actuais, uma das vertentes preferidas relaciona-se com a música, especialmente a popular portuguesa.

Podem-se estimular reminiscências (recordações) através de canções antigas e letras conhecidas; dançar músicas com diferentes ritmos; estimular o canto; reconhecer instrumentos musicais, etc…


Jogos de Mesa


Permitem estabelecer contacto social, estimular acções mentais e motoras, sendo motivo de satisfação e de ocupação. As regras dos jogos devem ser adaptadas às limitações de cada um (exemplo: pela simplificação de regras, diminuição do grau de dificuldade) e deve-se ter também em conta as preferências dos utentes.

Jogos de Mesa: dominó, jogo do galo, damas, xadrez, cartas, bingo, jogos de cores e formas geométricas diversas, etc.

Cadernos de passatempos: crucigramas, sopa de letras, encontrar as diferenças, etc.


Jardinagem e Horticultura


São actividades significativas, relativamente fáceis e ao mesmo tempo de entretenimento. Os resultados apresentados (crescimento de flores, frutos…) são visíveis e motivo de orgulho, satisfação e auto-estima para os utentes que possuem interesse na actividade.

Conselhos: material sempre perto dos utentes e não plantar plantas perigosas ou cortantes.

Pode-se sempre estimular o diálogo questionando sobre cuidados especiais para a plantação (e também relacionados com outros produtos como a batata, o milho, etc).

Deve-se trabalhar as cores, odores, formas e nomes das plantas e objectos que se utilizam.


Necessidades espirituais e de contacto social


O objectivo principal de uma Instituição de Solidariedade Social deve ser sempre trabalhar para o bem-estar do utente (apoiar e avisar sobre actividades religiosas ou outras que se desenvolverão na Instituição, promovendo atitudes motivadoras). Apoiar nos preparativos de festas tradicionais, ajudando na decoração da Instituição, promovendo cor e vida também são tarefas que poderão ser desempenhadas pelas Auxiliares de Acção Directa, em coordenação com a Animadora Sociocultural e restantes Técnicos.



Pontos importantes a considerar:



§ As actividades devem ser sempre adequadas à população com quem se irá trabalhar;


§ Utentes com maior défice cognitivo necessitam de maior apoio e acompanhamento ao nível da realização de actividades que devem ser: mais simples consoante o défice, actividades adaptadas e escolhidas normalmente para trabalhar uma área específica (exemplo: memória, funções executivas que influenciam grandemente o desempenho das actividades de vida diária e que não é mais do que saber sequenciar tarefas para a concretização de uma actividade).



Trabalhar actividades de estimulação cognitiva:



a) Linguagem;


· Abordar junto do utente temas/acontecimentos significativos (de âmbito pessoal, familiar, cultural), podendo utilizar-se objectos relacionados para estimular a conversação. Temas: netos, festas populares, refeições preferidas, opiniões próprias sobre diversos temas, etc.


· Apresentação de imagens:


§ nomear objectos, assinalar imagens pedidas, construir frases ou narrações (deve-se intervir estimulando a conversação sobre o tema). No caso de sentir dificuldade em dar o nome aos objectos (anomia) poderá dizer as características do objecto referindo para que é utilizado;


§ agrupar em categorias: roupas, transporte, frutas, etc (quanto maior o défice menor deve ser o número de imagens apresentadas).


· Realizar concursos onde os utentes poderão fazer grupos para identificarem nomes começados por determinada letra que se incluam nas categorias:



  1. frutas, verduras, árvores e flores, animais domésticos, selvagens, aves, comida e bebida, ferramentas, móveis, roupas, electrodomésticos, meios de transporte, desportos, cores…
  2. listas de provérbios, adivinhas, anedotas, música popular portuguesa, etc.

· Trabalhar com as palavras:

  1. descrever um objecto e pedir o seu nome (ex: estão no céu e aparecem de noite - estrelas);
  2. pedir os antónimos ou sinónimos de algumas palavras;
  3. pedir que nomeiem elementos com características determinadas (ex: alimentos vermelhos – morangos, pimento, tomate; emoções positivas – alegria, contentamento, felicidade);
  4. relacionar uma palavra com a profissão ou tipo de pessoa (ovelha–pastor; cancã-cantor);
  5. repetição de frases ou palavras (quanto maior o défice menor devem ser as frases pedidas);

Nota: Em utentes com maior défice cognitivo o mais importante não é a utilização de uma linguagem correcta ou da informação transmitida, mas sim do estímulo à comunicação.


Em utentes com dificuldade na discriminação visual e reconhecimento deve-se ajudar através de pistas e da simplificação da tarefa (sempre que se prevê que o utente vá sentir dificuldade na sua realização). O objectivo é motivar e não provocar sentimentos de inutilidade ou desconfiança. Devem-se parar os exercícios sempre que se verifiquem erros continuados.



b) Orientação: conversar sobre aspectos relacionados com o tempo, as estações e os acontecimentos anuais tradicionais; promover a recordação das festividades anuais, utilizando um calendário e uma agenda; promover actividades em grupo para dialogar sobre as alterações da zona (o antes e o agora), alterações ao nível do quotidiano, (apresentando fotos da terra e incentivando o diálogo), conversar sobre itinerários, distâncias, nomes dos locais e características principais; promover o raciocínio temporal (se estamos em Maio, qual é o próximo mês?), devendo-se actualizar diariamente o calendário que será afixado na sala de convívio, conjuntamente com o apoio dos utentes; promover a orientação no espaço (Sabe onde está?, Em que cidade vivemos?); promover o diálogo sobre a planificação do dia, da semana, do mês ou mesmo do ano, realizada pelo utente; localizar determinadas zonas com importância num mapa (exemplo: Fátima, Serra da Estrela, etc, dependendo do grau de instrução); ajudar a preencher o diário do utente (reforça a capacidade de orientação pessoal e biográfica).



c) Atenção-concentração/ actividades sensoriais;

  • Reconhecimento de:
  1. imagens sobrepostas e dizer o seu nome;
  2. emparelhamento de figuras/ caras.
  • Descrever as características dos objectos (descrever objectos enquanto realiza tarefas do dia-a-dia, exemplo: esponja de banho);
  • Trabalhar relações espaciais: esquerda, direita, acima e abaixo;
  • Emparelhar cores e figuras;
  • Promover sessões de pintura: colorir imagens ou formas geométricas, criar objectos relacionados com as estações do ano, com festas tradicionais, criar máscaras de carnaval com diversos materiais (tintas, palhinhas, esponjas, algodão, arroz, massas, cola, etc);
  • Discriminação de letras (ex: traçar um círculo em redor de cada P e M que visualize);
  • Reminiscências auditivas: identificação de sons apresentados; realização de sons do quotidiano; músicas e letras que aprecie, repetição de palavras ditas por outrem;
  • Reminiscências tácteis: vendar o utente e questionar o que um objecto faz lembrar, que tipo de sensação promove; conhecimento das características dos objectos; identificar texturas e materiais; identificar, nomear e encaixar formas geométricas; associações tácteis (ex: é tão suave como o algodão);
  • Reminiscências olfactivas: identificação de sabores comparando com imagens apresentadas.

d) Esquema corporal (coordenação motora, etc): dizer partes do corpo e pedir que apresentem as funções/actividades que se podem fazer (ex: com os olhos); imitação de movimentos de cara e mãos (sessões de mímica); assinalar no seu corpo as diferentes imagens apresentadas com partes do corpo; fotocopiar corpo humano e pedir ao utente que recorte e cole as várias peças no sítio correcto.

e) Memória: ajudar o utente a criar numa folha a linha do tempo (linha da vida onde escreve ou desenha acontecimentos significativos, segundo a ordem em que foram acontecendo); conversas sobre diversos temas para estimular as reminiscências (exemplo: festividades: tradições próprias; épocas em que se celebram, etc).

f) Praxis (manipulação de objectos e transformação em outra coisa): ordenar que realize mímica como se estivesse a manipular determinado objecto ou realizar gestos de comunicação (ex: sorrir, chorar, dizer adeus, etc), reconhecer os gestos apresentados, manipular cordões de sapatos, treinar o fecho e a abertura de botões, recortar, colorir figuras, desenhar (espontaneamente, dirigido – ex: dia da árvore, ou copiado – adaptado às capacidades do utente); modelar figuras (ex: com plasticina).

g) Leitura e escrita: leitura em voz alta, completar frases, associar palavras a imagens, ordenação alfabética de palavras escritas, construção de palavras com sílabas e letras isoladas, escrever palavras pertencentes a categorias (animais, flores, etc) ou apresentar imagens e pedir para dizer categoria, cópia de figuras simples (sem levantar o lápis).

h) Problemas aritméticos, de cálculo e gestão de dinheiro;


· Assinalar formas geométricas pedidas, colocar os objectos com as formas e cores na ordem pedida (ex: toque no quadrado amarelo com a mão direita e no círculo verde com a esquerda);

· Resolver problemas simples (x; +; - ; /);

· Operações com contador de madeira;

· Leitura, reconhecimento de números e ordenação.

· Imitação de situações de gestão de dinheiro (folha com recortes de produtos e preços). Previsão do dinheiro gasto. Contar e reconhecer o dinheiro.

i) Funções executivas: ordenar palavras por relação lógica (ex: mar, oceano, lago, rio); relações comparativas (o céu é azul tal como o fogo é…); compreensão dos efeitos das acções (se não paga a luz e o gás…); solucionar problemas; completar provérbios e expressões (estimulação da memória e promoção do raciocínio);


· actividade em grupo: fazer um cartaz com um tema à escolha, em que os utentes têm de buscar frases ou imagens em jornais ou revistas e colar, relacionando as colagens com o tema proposto.


Em praticamente todas as actividades se podem apresentar cartões com imagens de forma a diminuir a dificuldade da actividade, simplificando e adequando às limitações de cada um. Outras técnicas se podem utilizar sendo que normalmente são realizadas pelos cuidadores que acompanham o utente na tarefa, devendo para isso possuir conhecimento dos seus interesses, da sua fonte de motivação e grau de dificuldade sentido, directamente relacionado com a funcionalidade física e mental.

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